“O dia em que fui fazer surf foi o mais feliz da minha vida”, contou Miquelina Amaro, de 69 anos
Realizaram-se, na manhã desta sexta-feira, no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), em Guimarães, as IV Jornadas Vida Feliz, um evento que evento reuniu técnicos municipais e outros profissionais que trabalham com pessoas de idades mais avançadas, numa partilha de boas práticas. O evento foi buscar ao nome – “Vida Feliz” – ao programa de envelhecimento ativo do Município de Guimarães que é dinamizado pela Tempo Livre, envolvendo 1700 pessoas. Estiveram representados nestas jornadas, além do concelho de Guimarães, os municípios de Paredes, Penafiel e Leiria e representantes do Departamento de Desporto Exercício e Saúde da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e da ULS Alto Ave.

Na abertura dos trabalhos, o vice-presidente da Câmara de Guimarães e vereador com o pelouro da Ação Social, Eduardo Leite, lembrou que 25% da população do concelho de Guimarães tem mais de 65 anos. “São 36 mil pessoas”, destacou o autarca. Para Eduardo Leite não restam dúvidas de que é preciso dar a estas pessoas condições para encontrarem formas de ser felizes em Guimarães. Segundo o vereador, as medidas direcionadas a um envelhecimento ativo são ainda mais importantes quando se sabe que, nos próximos anos, a população vai continuar a envelhecer. “Apesar das políticas que já estamos a implementar em Guimarães para atrair casais jovens a fixarem-se no nosso concelho, como a abertura de 200 novos lugares de creche e 60 vagas em berçário, em setembro próximo, ou as alterações no PDM, para que se possam libertar terrenos para construção e, com isso, baixar o preço das casas, nos próximos anos, a população vai continuar a envelhecer”, sublinhou, para destacar a importância do tema em debate.


Numa mesa-redonda que juntou Madalena Casaca, chefe da Divisão de Desporto do Município de Paredes, José Vilaça, professor do Departamento de Desporto Exercício e Saúde da UTAD, o médico especialista em Medicina Física e Reabilitação, André Filipe Maia, da ULS Alto Ave, e a utente do programa Vida Feliz, Miquelina Amaro, de 69 anos, ficou claro que não há forma de envelhecer com saúde sem exercício. “Quando olhamos para o músculo e para o osso de quem faz exercício, não tem nada que ver com o de outra pessoa que não faz”, referiu o José Vilaça. “Não há desculpas para não fazer exercício. Se a pessoa tem limitações, é preciso fazer adaptações, mas não consigo vislumbrar uma razão para uma pessoa não praticar atividade física”, secundou André Filipe Maia. Madalena Casaca chamou a atenção para o facto de estes programas de exercício para pessoas de idade avançada serem tão importantes para a saúde física como para a saúde mental. Miquelina Amaro, utente do programa Vida Feliz, entre outras experiências, partilhou o que sentiu no dia em que foi fazer surf: “Eu nunca me tinha imaginado dentro de um fato daqueles. Estive para não ir, mas depois insistiram comigo e ainda bem que fui. Foi o dia mais feliz da minha vida”, contou.
Municípios partilharam boas práticas
Entre as boas práticas partilhadas pelos representantes de cada concelho, destaque para o programa Cuidar +, do Município de Penafiel, orientado para os cuidadores informais. Também em Penafiel, está em marcha um programa de exercício físico online, em sincronia (com o professor a dar o treino em tempo real), para levar a atividade física aos pontos mais distantes do território. Leiria tem tido um crescimento enorme da procura do seu programa Viver Ativo, que já existe desde 1999, mas que desde 2021, cresceu dos 1250 utentes para os 2000. “Temos agora um problema, que é dar condições a todas as pessoas que querem integrar estes programas para o fazerem”, confessou Carlos Jorge Palheira, vereador da Câmara de Leiria. O Município de Paredes apresentou a sua Liga de Bócia, com primeira e segunda divisão, 300 jogadores por fim de semana e um campeonato com oito jornadas.

Numas jornadas dedicadas à atividade física, ninguém estranhou que, antes do coffe break, duas professoras da Tempo Livre pusessem as 200 pessoas que enchiam o pequeno auditório do CCVF a fazer exercício.
